Duas semanas após o acidente que causou a morte de um centena de pessoas no voo 302 da Ethiopian Airlines, o CEO da companhia Tewolde Gebremariam disse ao The Wall Street Journal que há razões para acreditar que o sistema que deveria evitar o stall do Boeing 737 MAX estava ligado durante o voo.
Este software é chamado de MCAS, sigla em inglês para “sistema de aumento de característica de manobra”. A proposta é que ele evite o stall, assim chamado quando o avião perde sustentação, o que geralmente ocorre quando ele está com o bico muito para cima.
A questão é que o software apresentou problemas muito similares ao acidente do voo 610 da Lion Air, causado exatamente por conta do sistema MCAS. Outro ponto levantado por especialistas foi que a tripulação tinha pouca experiência: o capitão era Yared Getachew, de apenas 29 anos, o mais novo da companhia com apenas 8 mil horas de voo. Seu parceiro era Ahmed Nur Mohammod Nur, com apenas 200 horas de voo.
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Para o CEO, dificilmente a Boeing vai conseguir trazer de volta a confiança no modelo 737 MAX após os acidentes recentes. Ele também pediu mais transparëncia para a fabricante em torno do caso e cancelou todos os pedidos do avião.
Acidente
O voo 302 deveria ir de Addis Abeba para Nairobi, Etiópia. Ele levava 157 pessoas e colidiu com o chão seis minutos após a decolagem, sem deixar sobreviventes. Análise do componente chamado de Jackscrew, que faz o estabilizador na parte de trás do avião, mostra que ele estava em posição de nariz todo para baixo, comprovando que o avião foi completamente ao encontro do chão.
A dúvida que paira sobre o caso seria se o MCAS realmente teria falhado. Segundo argumenta Lito Sousa, graduado em Manutenção de Aeronaves e editor do site Aviões e Música, o sistema na verdade não teve falha, sendo que exatamente por funcionar é que o acidente aconteceu.
O MCAS é responsável por ajustar o bico do avião caso esteja muito acima, causando o stall. Com isso, ele ajusta o estabilizador na parte de trás, fazendo com o nariz se abaixe e volte a uma posição estável.
Para isso, é preciso que o sistema seja alimentado com uma série de informações. Uma delas vem de sensores na parte da frente da aeronave, chamados de AOA Vane, os quais informam ao MCAS qual a posição do nariz do avião para ser ajustado.
A suspeita é de que estes sensores tenham falhado, fazendo com que o MCAS se mantivesse ligado mesmo após colocar o nariz do avião na posição correta, fazendo com que a aeronave embicasse rumo ao chão. Dessa forma, o problema não seria diretamente no MCAS, mas sim nos sensores.
Por conta disso, a Boing está lançando uma atualização que modifica alguns protocolos no MCAS. Entre eles, obriga que o sistema utilize os dois sensores para identificar a posição do nariz do avião (no caso da Etiópia, apenas o sensor esquerdo estava sendo usado). O sistema ainda vai contar com redundância para aumentar a segurança, além de uma luz que mostra diferenciação na posição do avião e com o que os sensores estão indicando, para ajudar o piloto a corrigir o problema manualmente.
Até o momento, contudo, não há nenhuma confirmação oficial de que teriam sido os sensores o problema que levou ao acidente, sendo que esta hipótese ainda é uma suposição.
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CEO da Ethiopian Airlines afirma que sistema anti-stall do voo 302 estava ligado Publicado primeiro em https://canaltech.com.br
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